15 de novembro de 2020

Expatriação e divórcio.


Olá, Coexpat!

Eu poderia começar esse texto com números sobre a taxa de separação entre os casais que embarcam em uma expatriação. Número é ótimo para causar espanto, mas nem sempre faz a gente calçar os sapatos da outra pessoa.

Então prefiro os “causos”.

Era uma vez uma mulher que me escreveu – na época vivendo na Noruega com o marido – relatando alguns dramas da coexpatriação, entre eles o de ter manchado a camisa do “home” em uma das lavagens. Justo ela que só queria fazer o melhor nessa nova situação: coexpatriada e do lar. Tempos depois, após nova troca de e-mails, ela me contou que tinha parado de manchar as camisas. Eles tinham se separado.

Era uma vez uma família que veio passar as festas de fim de ano no Brasil. Em um telefonema, a coexpatriada confidencia para uma amiga que estava voltando para o país de expatriação apenas para organizar a mudança. Repatriação adiantada? Promoção? Novo emprego? Não...O casal estava se separando.

Tempos atrás, torcendo para que fosse mais um “era uma vez...” chega a notícia do suicídio de uma coexpatriada, mãe de três crianças. Dizem que ela sofria de depressão, mas o fato é que ela estava em meio à uma expatriação...e a um divórcio.

Setembro de 2019 (bem antes da quarentena),  pouco mais de um ano morando novamente no Rio, a quinta mudança em 11 anos, chega a minha vez de virar “causo”. Era o meu casamento, uma união de 25 anos, que chegava ao fim.  E com ele também o fim de muita coisa em que eu acreditava, entre elas, que era possível levar expatriação e casamento sem um baita apoio profissional para que o casal supere unido os pesados desafios de viver uma vida em mobilidade por causa da carreira de alguém.

Não, não vou me estender nos detalhes de mais uma mudança de cidade, dessa vez apenas com meu filho. Nem em como ficamos destruídos...Não vou falar nos pensamentos que me assombraram sobre a mudança de rumo que dei na minha vida, nem nos sentimentos mesquinhos sobre no que minha carreira se transformou por causa da carreira de uma pessoa com a qual já não estou mais, nem vou falar da vergonha que senti, e da vontade de parar de trabalhar com coexpatriação, de tirar isso de vez da minha vida...

Prefiro ficar com a ideia de que fiz tudo por amor.

Ainda que eu estava no Brasil...imagina quem está fora? Continuar expatriada? Como fica o visto se não há mais casamento? Se há repatriação de parte da família, como fica a guarda dos filhos? As visitas? O recomeço?

Carmem, me poupe! Quer falar de vida pessoal? Vá pra um ambiente  apropriado!

Sério?

É possível mesmo ainda pensar que o que acontece dentro de uma casa não afeta o que ocorre dentro da empresa?

Há algum tempo que pesquisas mostram que fatores pessoais, especialmente relacionados a coexpatriação, são a principal causa para o fracasso de uma expatriação.

É... expatriação é um mundo a parte mesmo! É que o processo é  meio tudo-junto-e-misturado. “Causo” para exemplificar isso não falta...Quem nunca nessa área enxugou uma lágrima de um@ coexpatriad@ (mesmo que metaforicamente)?

Tive que ter uma baita coragem para me expor assim. Falar do próprio fracasso – mesmo que em vias de superação -  é realmente frustrante, especialmente em tempos de vida dourada em Instagram. Só estou seguindo a orientação de alguns mentores: exorcizar demônios e tentar ajudar alguém...

Mas Carmem, seu casamento terminou mesmo por causa da mobilidade?

Claro que não foi só por causa disso, mas esse contexto colaborou e muito. Óbvio que só posso falar por mim, não por ele. Uma relação a dois pressupõe que antes de estar bem como casal os dois estejam bem consigo mesmo, com suas escolhas...expatriação para quem “acompanha” requer muito autoconhecimento, muita força, muito poder pessoal, além de  muito altruísmo e muita resignação, hoje não sei dizer se estava preparada...E quem está? Mas isso é assunto para as redes sociais, especialmente as offline...

Carmem Galbes

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