14 de agosto de 2019

Expatriação e experiência de quase morte.

Olá, Coexpat!
Experiência de Quase Morte.
Você já teve uma EQM?
Eu já!
Foi há uns 10 anos...
Apesar de o voo ter sido tranquilo, sem nenhum incidente, alguns dias depois do pouso eu entrei em choque. Não estava preparada para a paulada que é mudar tanto uma vida em nome do desenvolvimento da carreira de outra pessoa!

De repente eu me vi sem chão, flutuando...às vezes me sentia bem, às vezes confusa. Às vezes ia em direção ao túnel de luz, às vezes me sentia puxada para um lodo, onde só havia desespero. Não sei ao certo quanto tempo essa experiência durou...
Foi uma EQM diferente. Não teve coma - aliás eu estava vivendo, cumprindo a rotina diária - não teve gente revezando ao lado de um leito de hospital, porque não teve hospital. Eu sentia que meu pai e minha mãe seguravam minha mão e rezavam - pai e mãe sempre rezam pra filho, com ou sem EQM. Mas, no geral, foi uma EQM solitária. Só eu sabia que estava vivendo uma EQM - quer dizer, descobri isso depois que renasci.

Eu voltei como uma criança. Tive que aprender a andar de novo com as minhas próprias pernas, a me comunicar, a comer a comida local, a me vestir para o clima e costumes locais, a me posicionar, a encontrar novos interesses e novas paixões.
Interessante que essa EQM ocorreu após nossa mudança de São Paulo para o Rio de Janeiro.
Alguém poderia dizer: "quanto drama! Isso porque você não mudou de país, de idioma, não ficou longe de verdade de gente querida..."
Olha, eu digo que eu até mudei de país depois dessa EQM...e de idioma...e fiquei longe. Mas minha EQM aconteceu - por total falta de informação adequada de todos os envolvidos - em uma simples mudança dentro do país, num eixo em que as pessoas dizem ser igual, mas tem diferenças profundas de um polo ao outro.
No meu caso, acredito que a EQM tenha sido provocada por um choque de identidade. Eu tive quer mudar muitas coisas na minha vida ao mesmo tempo: de endereço, de casa própria para alugada, de jeito de lidar com a rotina, com as pessoas, perdi minha rede de apoio e de contato.. Fiquei desempregada, mudei de função para me recolocar. Odiei essa nova atividade.
Se foi difícil?
Até hoje eu penso como consegui sair dessa de forma saudável...
Acho que a expatriação para os Estados Unidos um ano depois da chegada ao Rio me ajudou muito. Encarei - no começo - como uma forma de fugir daquela dor. Mas antes de embarcar, me agarrei à uma estratégia para não sentir em Houston o que eu havia sentido no Rio. Funcionou!
Apesar da dor, minha EQM resultou em uma expansão da consciência! Não sei se voltei uma pessoa melhor, mas voltei diferente, munida de outras perspectivas. Eu gosto mais de mim depois da minha EQM!
Se é de metáfora que você precisa para entender o que pode estar acontecendo com você nessa mudança de endereço para apoiar a carreira de outra pessoa, escrevi esse texto pra você!
E você já viveu - direta ou indiretamente - uma EQM causada por uma expatriação? Como foi?

Carmem Galbes

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