Coexpatriada: quando é preciso um neologismo para explicar a importância da mulher.



Já falei aqui sobre as diferenças de conotação entre termos que deveriam dizer a mesma coisa: expatriado e imigrante.
No dicionário Aurélio, expatriado é aquele que reside fora de sua pátria. Mas no "corporativês", sabemos que expatriado é o funcionário "promovido", que vai assumir responsabilidades em outro lugar. Então se expatriado é o "cara", quem segura a barra é o que?
Querem um nome? 
Ok. Quem acompanha é uma Coexpatriada! 
Como assim? Tem no dicionário? Não e eu vou explicar porque criei esse termo.
Coexpatriada com A no final porque de cada 10 expatriações, 8 ainda são motivadas pelos homens. E CO no começo porque o prefixo sugere duas possibilidades: companheirismo ou subordinação, aí é que o negócio pega!
Você e só você poderá decidir qual será o significado do Co no seu coexpatriada: a da mulher que - apesar de ter deixado muita coisa de lado em nome da carreira de outra pessoa - está reescrevendo a própria história? Ou você é a coexpatriada que acabou se escondendo nos bastidores porque não teve apoio ou coragem de seguir em frente e fazer o que precisava ser feito para tomar as rédeas da situação? Que tom você está assumindo nessa transferência?
Claro que eu sei que não é fácil. Passei e passo pela situação de equilibrar mil pratos "longe de casa" em nome da carreira do meu marido para manter a saúde física, mental e espiritual de toda a família. Os sentimentos são tão confusos...sucesso, saudade, novidade, perda de identidade que fica muito difícil explicar para gente mesma - imagine para os outros - quem, afinal, somos? Qual é o nosso papel, a nossa importância em uma expatriação? 
O que tenho certeza "absolutássima" é que não somos somente a "esposa de expatriado", termo que - infelizmente - ficou carregado de preconceito. Somos mais do que a pessoa que casou com o profissional que trabalha ali, somos a ponte entre o funcionário expatriado e seu sucesso na empresa.
Não canso de falar sobre esses números: uma em cada quatro expatriações fracassam. Das que fracassam, oito em cada dez não deram certo por motivos pessoais do funcionário e sua família.
Então, se a palavra tem poder, que a gente crie palavras para definir nossa condição da maneira mais poderosa possível. E é nosso papel de Coexpatriada aceitar a nossa importância e difundir esse conceito.
Acredito muito nesse empoderamento pela união de forças. Se você também acredita que juntas podemos mais,  vem para o grupo Coexpatriadas do Facebook.
O Coexpatriadas tem por objetivo ser um porto seguro e sem julgamentos, criado com todo o carinho para um público pouco compreendido, e que já cansou de ouvir: "Está reclamando de que? Isso é frescura! Dondoca!" e por ai vai.
Seja bem-vinda!
Para fazer parte, clique aqui: Coexpatriadas 

Carmem Galbes

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Olá! É um prazer falar com você!