13 de junho de 2017

O que é essa tal de paciência que dizem que toda expatriada deve ter?

Levanta a mão a expatriada que ao dizer: "puxa, não estou feliz aqui..." ouviu aquela super dica da amiga que segue no ninho: "tenha paciência!"
Outro dia, uma querida perguntou: "mas o que quer dizer exatamente ter paciência em um uma vida que você não entende o que falam, não é compreendida, está longe do que é conhecido, distante dos amigos, sem o colo dos parentes, sem o reconhecimento da vida profissional e sobrecarregada com o fato de ser a ponte entre a família e a nova cultura e - ao mesmo tempo - ter que lidar com as próprias angústias?
Ai Machado, diz pra amiga da minha amiga o que você pensa sobre a paciência! "Suporta-se com muita paciência a dor no fígado alheio."
Pois é... como é chato ouvir "tenha paciência" quando se está sofrendo. Mas por mais que a gente odeie essa frase com cara de crítica, paciência é quase  um mantra em uma expatriação, especialmente para a mulher que deixa muita coisa de lado para acompanhar o marido em uma transferência profissional.
É preciso ter paciência para suportar o tempo de estudo até se sentir mais confortável com o idioma local. Paciência para aceitar que, com dedicação, você vai - sim - ter vocabulário mais rico para poder expor suas opiniões como uma adulta, não como uma criança de 5 anos. Paciência para suportar a distância e criatividade para matar a saudade. Paciência para aceitar que tem hora que é você mesma que precisa se dar colo. Paciência para entender que você pode ser a atriz coadjuvante agora, mas vai chegar o momento também de escrever a sua própria história e ser a estrela dela. Paciência com o seu papel de ponte, que tende a ficar mais ameno conforme a família vai vivendo...Paciência com você, com o fato de ser tudo muito novo. Paciência com o fato de você ter que mudar o seu modo de pensar, sentir e agir, o que sabemos que não é tarefa fácil.
Então inspire-se em Rousseau, que sintetiza bem como é quando precisamos nos munir dessa tal virtude: "a paciência é amarga, mas seu fruto é doce."
Confesso que não me sinto lá muito confortável com essa palavra, tenho medo que ela seja geneticamente modificada e vire conformismo...mas levo comigo sempre um estoque de doçuras para aqueles dias em que a gente fica em dúvida se está sendo paciente, trouxa ou medrosa:
"Tudo tem seu tempo determinado e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer e tempo de morrer. Tempo de plantar e tempo de colher. Tempo de matar e tempo de curar. Tempo de destruir e tempo de edificar. Tempo de chorar e tempo de rir. Tempo de prantear e tempo de dançar. Tempo de espalhar pedras e tempo de juntar pedras. Tempo de abraçar e tempo de se separar. Tempo de buscar e tempo de perder. Tempo de guardar e tempo de lançar fora. Tempo de rasgar e tempo de costurar. Tempo de calar e tempo de falar. Tempo de amar e tempo de odiar. Tempo de guerra e tempo de paz." Eclesiastes 3, 1:8

O tempo agora é de ter uma realização pessoal, só sua, nessa expatriação que foi provocada pelo seu marido? Não saber por onde começar? Fale comigo! Estou sempre no contato@leveorganizacao.com.br
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Carmem Galbes

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