29 de outubro de 2010

Cinco perguntas e uma boa surpresa. Canadá.

No imaginário "expatriático", se o Canadá fosse uma pessoa seria linda, descolada, madura e responsável. E conversando por aí, parece que é isso mesmo.
Vamos lá:
O governo é parlamentarista.
A rainha é a mesma que a da Inglaterra, Elizabeth II.
A moeda é o dólar canadense, que na cotação de hoje vale R$ 1,67.
O segundo maior país do mundo em área tem um dos mais altos índices de desenvolvimento humano e é o 13o. na lista das nações com maior renda per capta.
Dizem que uma de suas principais marcas é o multiculturalismo.
Pelas contas do governo, 20% dos cerca de 33 milhões de habitantes são estrangeiros.
Inglês e francês são os idiomas oficiais. Mas pode-se ouvir por lá mais de 60 idiomas de 70 etnias.
Só que esse cenário não garante não uma expatriação tranquila, mesmo porque tal mudança parece ser muito mais um processo emocional que geográfio.
Mas quem pode falar um pouco mais pra gente sobre isso é a corretora de imóveis Marden Bastos.
Há 7 anos, a carreira do marido foi o passaporte para a mudança de toda família.
Ela aprendeu Inglês na raça, mudou de profissão e assumiu de vez a vida por lá.
Para quem está precisando daquele incentivo para aceitar o convite, aqui vão as palavras dessa mineira "Se um dia você decidir sair do seu país, prepare-se para os desafios, aprenda o idioma, ainda que só um pouco e, sobretudo, vá com os dois pés. Não deixe uma parte de si para trás, pois isso não ajudará na adaptação e também não ajudará a sua família. Não pense nas suas perdas e invista energia naquilo que você pode ganhar e conquistar. O passado passou e o seu futuro está nas suas mãos. Curta as estações, a cultura local e cada coisa que você tem hoje, mesmo que elas sejam menos do que você tinha antes. Procure coisas novas para fazer, participe de associações, voluntariados porque isso ajuda a fazer novas amizades e a entender a cultura local."
E aqui fica a dica, se você estiver a caminho do Canadá, dê uma passada antes no blog da Marden: Conversa entre Penélopes.

Cinco Perguntas:
Leve - Como foi o processo até você realmente se sentir em casa em outro país, ou isso nunca aconteceu?
Marden - Eu comecei a me sentir em casa no Canadá quando compramos nossa casa e aquela sensação de vida temporária - morando de aluguel em casa mobiliada que não era exatamente do meu gosto, não poder mudar nada, nem comprar muita coisa porque não tinha onde colocar - começou a dar lugar a uma continuidade de algo que havia parado.
Depois, quando meu inglês melhorou e eu perdi a dependência do meu marido para poder conversar.

Leve - O que é ou foi mais difícil durante a sua expatriação?
Marden - Basicamente foram duas coisas. Primeiro foi não saber falar inglês. Meu marido veio ao Canadá participar de uma avaliação numa empresa que havia sido comprada pela empresa que ele trabalha e veio o convite para ficar. Nós não tínhamos planos de mudar.
Segundo foi engavetar meus planos pessoais, pois sem falar inglês eu não poderia pensar em trabalhar ou estudar.

Leve- O que faria diferente?
Marden - Eu entraria numa imersão de inglês para poder me sentir menos perdida. Aprender um idioma é fácil quando você ainda é criança. Não era o meu caso. Quando você tem de aprender do zero, com todas as instruções dadas numa língua que você não entende, isso vira coisa de maluco. Você usa todos os recursos possíveis e fala mais com a mão do que com a boca. É meio constrangedor, mas a gente tem de vencer a barreira da vergonha senão não aprende. É mais fácil desenvolver uma base, ainda que mal feita, do que construir uma às escuras. Assim, perde-se menos tempo e menos dinheiro.

Leve - Toparia ser expatriada de novo?
Marden - Sim. Apesar dos muitos desafios vividos, é uma experiência muito enriquecedora. Além disso o Canadá é um país acolhedor e muito bonito, e que proporciona uma ótima qualidade de vida.

Leve - Quais expectativas se concretizaram e quais viraram pó depois da mudança?
Marden - Concretizado: A nossa vida familiar virou realidade. No Brasil eu trabalhava 12 horas por dia, 6 dias por semana. Meu marido saia de casa às 5 da manhã e só chegava depois das 8 da noite. A gente só tinha tempo nos fins de semana que ele não era chamado para alguma emergência e quando eu não trabalhava. Aqui passamos a jantar juntos todos os dias, a sair depois do jantar com as crianças para os parques e passear de rollerblade, ou jogar bola, ou simplesmente andar à toa . Temos mais tempo juntos. Em seis meses estávamos morando na nossa casa, em 7 meses já tínhamos nossos carros. Todo mundo aprendeu inglês, fizemos amizades, viajamos.
Como gosto de lidar com o público, resolvi me tornar corretora de imóveis e fiz um curso técnico para isso. Agora estou fazendo novo curso na área de Home Staging e Home Redesign para oferecer um diferencial aos meus clientes e também criar uma carreira paralela à minha.
Não concretizado: fui dona de casa por um bom tempo até ter um nível de inglês para fazer novo curso. Minha idéia de reconhecer meu diploma em farmácia foi descartada depois de alguns anos, pois o processo é difícil, caro e longo, e eu iria atuar numa área da profissão que não gosto, que é a farmácia pública.

A boa surpresa:
Superar os obstáculos do processo, fazer novas amizades e criar novas possibilidades. Ver meus filhos crescerem sem medo de violência, aproveitando a adolescência.
Carmem Galbes

4 comentários:

  1. Queridas Carmem e Marden!!
    Adoro ler sobre expatriadas, sao historias que em varios momentos me identifico!
    Concordo plenamente quanto a atitude do imigrante perante um novo país,"Não pense nas suas perdas e invista energia naquilo que você pode ganhar e conquistar", essa frase diz tuuudo!!!
    Aqui em Cancun muitas amigas mandaram seus filhos ou foram passar um tempo no Canadá, e o "feedback" sempre é positivo em relaçao ao país!!
    Beijos pras duas e parabens pela entrevista!!!

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  2. Olá, Tati!
    Sua visita é sempre uma honra! Obrigada!!
    Bjs.
    Carmem.

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  3. Adorei a entrevista! muito legal conhecer um pouco mais sobre o canadá! eu ja pensei em ir pra lá e foi ótimo ler esse texto aqui!
    vc está de parabens pelo blog! vc escreve muito bem! :)

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  4. Olá, Ingrid!
    Obrigada pela visita e, cá entre nós, amo esse tipo de elogio...rs.
    Volte sempre!
    Bjs.
    Carmem.

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