7 de abril de 2010

Desastre cá e lá.

Olá Coexpat!
Segunda-feira. Depois de 10 minutos voando em circulo, porque o mau tempo havia fechado o aeroporto, desembarcamos no Santos Dumond.
Sucesso total na primeira viagem aérea do nosso filhote!
Eram 5 e meia da tarde. A chuva - ainda fina - motivou a conversa com o taxista.
Meu marido: "E aí, muita chuva nesse fim de semana?"
O taxista: "Pra mim, choveu pouco!"
A frase, proferida palavra por palavra, sem rodeios, soou como uma praga daquele taxista sombrio. PARA-MIM-CHOVEU-POUCO. POUCO. POUCO. POUCO...Com o maldito eco na cabela, fiquei pensando se aquele ser sabia de algo ou se era só mau humor mesmo.
Tanto faz...O fato é que assim que botamos o pé em casa, o mundo começou a cair no Rio.
Esse é o segundo desastre natural que eu e minha família enfrentamos em menos de dois anos. Um no chamado primeiro mundo e outro aqui, que dizem ser um país em desenvolvimento.
Em Houston encaramos um furacão, que arrastou bens e vidas. Aqui no Rio, a chuva congestionou, afogou, soterrou casas, enterrou pessoas vivas.
Como tem muita gente usando a tragédia para angariar audiência e voto, decidi rebobinar a cachola e comparar.
E comparando, não tem como não dizer que desastre é desastre em qualquer lugar do planeta, e que, no fundo no fundo, cobranças, jogo de empurra de responsabilidades, confusão e amadorismo ao lidar com o risco são comuns, independente da bandeira.

- O estrago: passado o primeiro susto, o que mais se ouve é que a coisa poderia ter sido menos grave. Isso é dito em qualquer ambiente que tenha governo e oposição, não importa o pib.
Em todo lugar o estrago sempre poderia ter sido menor se houvesse mais humanidade, menos ambição entre quem lida com a verba pública, isso em todo canto do planeta!

- O prejuízo: pobre é pobre. O que significa dizer que essa gente é mal tratada e ponto, que quando perde as coisas em tragédias assim, perde tudo. Se tem pobre, tem área de risco, não importa em que hemisfério. Se tem pobre, tem resistência em deixar a casa em risco. Saqueador não tem endereço fixo! Se tem pobre, geralmente, tem muitas mortes, muita história triste, muitas lágrimas, muito nó na garganta, muito desespero. Tem absurdo. Tem favela em cima de lixão. É lixo embaixo e em cima de gente. Gente que vira resíduo...

- A segurança: em dias assim tem muito bandido pra pouca polícia. Em Houston o prefeito decretou toque de recolher à noite. Aqui traficante é que tem essa autoridade. Se bem que muita gente acatou o apelo do prefeito do Rio para não sair de casa. O povo atendeu morrendo de medo de perder o emprego, mas atendeu...Azar de quem ficou preso no trânsito, isca fácil até para pivetes sem experiência.

- A prevenção: estão descendo a boca na previsão meteorológica feita no Brasil. Adianta falar que vai ter uma mega chuva se ninguém acredita no pior? Aliás, essa é a principal diferença que percebo entre as catástrofes: como elas são comunicadas.
Nenhum órgão público do Rio disponibilizou algum tipo de informação pré ou pós enchente em site, blog, twitter...
Nenhum canal de tv disse que a coisa ia ficar feia, mas todas as emissoras correram para mostrar a feiura...
Essa é a diferença. Em Hounston, o furacão estava previsto para chegar à noite. À tarde, as tvs, rádios, sites já estavam com programação exclusiva para informar e, assim, orientar e tentar previnir maiores danos. Mas a gente tem certeza que Deus é compatriota e que essa terra é boa demais porque não tem nevasca, terremoto...bla blá blá...
Mas a informação de alguma forma chega...a conta do twitter criada para dedurar blitz da lei seca, por exemplo, divulgava pontos alagados e congestionados. É aquela história de a marginalidade fazer o papel do estado.

- A solidariedade: em dias assim aparece sempre, independente do idioma. Acho que até ET entende o tal do SOS.
E se você puder doar, segue link com os postos de arrecadação: projeto enchentes.
Enfim, desastre natural é uma tristeza, nem mais, nem menos que aqui ou lá longe.
Carmem Galbes

2 comentários:

  1. Carmem, foi o dia em que o Matheus chegou. rsrs

    ResponderExcluir
  2. Ufa...demorou mas a boa noticia chegou!!!! Pelo menos um super ótimo acontecimento nesse dia!! Matheus eh mega fofo!! Bjs.

    ResponderExcluir

Olá! É um prazer falar com você!