11 de novembro de 2009

Já que a vela foi acesa, vamos rezar!

Olá, X!
Eu sempre amei chuva, trovoada, relâmpago, raio. Mas confesso que depois de Houston esse amor ganhou um friozinho na barriga. Culpa do Ike. Para mim, o furacão que atingiu a região do Golfo do México, em setembro de 2008, não teve cenas de casas e vaca voando pelos ares, apesar de ter havido - sim - muita destruição e, infelizmente, mortes. Ele veio em forma de falta de energia, que resultou em corte no fornecimento de água - porque as bombas pararam de funcionar. Resultou ainda em toque de recolher, por causa do aumento da criminalidade na escuridão. Resultou também em racionamento de combustível, que não tinha como ser produzido nas refinarias.
Tudo isso incomodou mesmo. Mas o que mais atormentou foi perceber a incapacidade do poder público em apontar os responsáveis pela normalização do sistema. A prefeitura dizia que a responsabilidade era do governo do Texas, o governador dizia que era das empresas de fornecimento, os empresários diziam que era de São Pedro, uma vizinha insistia que o culpado era o mordomo! E ouvíamos tudo isso do mp3 a pilha, trancados no banheiro - o lugar mais seguro da casa, diz o esquema de proteção contra furacões.
Então toda vez que chove vem a pergunta, quando será que a luz vai acabar?
Estava ao telefone, com a minha mãe, quando a noite bateu pra valer ontem. Como o telefone é ligado àquela caixinha da internet, ficamos sem linha. Desconfiei de algo estranho, quando - eu, do celular no Rio, descobri que meus pais, em São Paulo, também estavam no breu.
“10 anos depois, seria mais um apagão? Não pode ser”, pensei. “O calor deve estar atrapalhando meu raciocínio lógico”, pensei de novo.
E não é que foi mais um apagão. Parece coisa de filme. Os números do impacto de ontem foram bem parecidos com o de uma década atrás: 60 milhões de pessoas atingidas, em 10 estados, por cerca de quatro horas, a partir de 10 e pouco da noite.
Hoje, antes mesmo de terminar o café já tinha essa lista de culpados: chuva, vento, raio, sabotadores, hackers e...talvez...quem sabe...pode ser...sobrecarga em um sistema que não acompanhou o crescimento da economia.
Ai-ai-ai-ai-ai.
Então o país do olé-na-crise-mundial-sede-da-copa-do-mundo-casa-das-olimpíadas tem mais demanda que oferta?
Ah, não seja exagerada, isso sempre aconteceu por aqui. Sempre teve mais analfabeto que escola, doente que hospital, passageiro que ônibus, morador que casa. Por que não teria mais equipamento que energia?
Outra coisa, às vésperas de 2010, 5 milhões de brasileiros não sabem o que é estar envolvido pelos confortos da energia elétrica, isso pelos cálculos do governo. Sem contar o povo que só tem acesso à base dos gatos. Parece que no mundo, 1.6 bilhão de pessoas não desfrutam das maravilhas de uma tomada ou de um interruptor. Então, não reclame e aprenda com eles. Lampião a gás, forno a lenha, sal, banho rápido, frio, de canequinha...
Eu cínica? Cínico é quem fala que isso já é um reflexo do fim do mundo em 2012!
Mas vamos às dicas práticas. No Texas - região vulnerável aos furacões - existe a indústria de sobrevivência a eles. Pouco antes de maio chegar, quando começa a temporada de furacões - já é possível encontrar kits para enfrentar os reveses desse período. Ele é composto por lanterna, pilhas, uma reserva de água potável e de comida enlatada.
Aqui no Brasil faria uma pequena adaptação do kit: lanterna, pilhas - que sirvam na lanterna - claro, um radinho a pilha também ajuda. Se optar por velas, não se esqueça dos palitos de fósforo. Tenha também uma reserva de paciência e uma boa dose de bom humor, porque afinal, somos um dos povos mais alegres e felizes da galáxia!
Sei que o assunto fugiu um pouco da proposta deste espaço, mas é que o mundo falou disso hoje. E vai que alguém pergunte a você - que pode estar em qualquer lugar do planeta - o que aconteceu...
E se você souber a reposta, diz pra gente, tá?
Imagem: SXC

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