9 de setembro de 2009

Off road.

Olá, X!
O Estadão de hoje traz duas histórias típicas de gente que nasceu em um país marcado por tormentas econômicas, mas que nem por isso está preparada para lidar com o problema lá fora.
Na reportagem, uma brasileira - manicure na Espanha - conta como a clandestinidade e a crise fizeram com que ela voltasse para a prostituição em Madrid.
No Japão, é um operário de 52 anos - agora sem teto - quem relata como as exigências tem afunilado o já estreito mercado de trabalho nipônico.
Toda vez que recebo notícias sobre dramas de brasileiros no exterior a linguística furta meus pensamentos.
O dicionário Michaelis traz que imigrante é aquele que se estabelece em país estranho. Expatriado é quem deixa voluntariamente a pátria. Então, todo aquele que vive pra lá da fronteira é imigrante ou expatriado, tanto faz - ou faria. É que a semântica trata de diferenciar bem os dois. Tanto é que o imigrante pode carregar o adjetivo clandestino. Nunca vi um expatriado ilegal.
Diria que enquanto o imigrante parte com um planejamento próprio, o expatriado conta com uma rede de apoio que envolve aspectos psico-sócio-econômicos, o que ajuda - e muito - a integração e a permanência no exterior.
O fato é que, na recessão ou não, com ou sem apoio, quem decide partir tem que carregar na bagagem uma maleta pessoal de primeiros socorros.
É que se o imigrante não tem nenhuma garantia de que vai viver bem ao chegar ao novo endereço, o expatriado não tem nenhuma certeza de sucesso na volta para casa.
Portanto, mesmo que a viagem tenha começado em uma linda estrada pavimentada,
quem está longe corre sempre o risco de cruzar com trechos off-road, e sem GPS!
Mas...o que levar mesmo na maletinha? Cada um sabe onde o calo aperta.
Imagem: SXC

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