19 de junho de 2009

Leve Entrevista. Expatriação e saúde.

Olá, Coexpat!
Não tem jeito, a gente só lembra como é bom ser saudável quando fica mal...
E se tem uma coisa que a gente precisa quando entra em processo de expatriação é estar com o corpo e a alma em equilíbrio. Mas a tal da correria...
Quem nos ajuda a entender melhor como toda essa mudança afeta o bem estar e dá algumas dicas para organizar a agenda da saúde é a enfermeira Adélia Aparecida Pinto.
Com pós em Emergência, Saúde Pública e Enfermagem do Trabalho, Adélia é quem coordena a equipe que acompanha de perto o estado de saúde dos expatriados da Petrobrás.
Ela fala de cuidados básicos - como ficar atenta à qualidade da água que se bebe, lembra da importância de se montar a famosa “farmacinha” antes de partir e ressalta os cuidados necessários em relação à gripe que se espalha pelo mundo. Acompanhe o mapa de avanço da doença aqui.
Aproveite a entrevista!


Leve - Quais os cuidados necessários para quem se preparara para “embarcar” em um processo de expatriação?
AP - O primeiro é que toda a família visite médico e dentista. É importante solicitar um histórico pregresso - por escrito - da saúde, das doenças, as vacinas que já tomou, os medicamentos que toma, se for o caso, além de alertas como alergias, diabetes, hipertensão, etc. O ideal é que este histórico seja em inglês, para que tenha mais chances de ser entendido em mais países.Feitas as visitas, quem está no Rio de Janeiro pode marcar uma outra consulta no CIVES (Centro de Informações em Saúde para Viajantes). O Centro fica no Hospital Universitário da UFRJ- Fundão- 5o. andar. Os telefones são 21 - 2562 6205 e 21- 2562 6213. A consulta pode ser marcada por email - detalhes no
www.cives.ufrj.br - a família é atendida toda junta.
A equipe é formada por médicos e enfermeiros, um pessoal excelente, que está acostumado a orientar viajantes para o mundo inteiro.
Lembrando que o serviço é gratuito, inclusive as vacinas indicadas. Para alguns países há a exigência da carteira internacional para a vacina de Febre Amarela, mais detalhes na Anvisa. Vale lembrar que a vacina é fornecida nos postos de saúde e que é preciso pedir o comprovante. Os medicamentos e as vacinas obedecem um critério muito particular de cada pessoa, depende das características de saúde de cada indivíduo e das condições sanitárias de cada destino.

Leve - A automedicação é culturalmente difundida no Brasil. Em outro país, o brasileiro pode ter dificuldade para enfrentar doenças que ele mesmo diagnosticava e tratava com uma ida à farmácia. Como lidar com um novo cenário de restrição à venda de medicamentos? A velha farmacinha particular “made in Brazil” é uma boa dica para quem vai passar um período em outro país?
AP - Uma dica é levar na mala de mão um "estoque" de medicamentos mais usuais para uns 6 meses, lembrando de carregar junto a receita destes medicamentos em inglês, pois as aduanas podem pedir.
Atenção meninas: não é para levar uma farmácia inteira, o "estoque" é só para dar tempo de vocês se adaptarem aos medicamentos vendidos no país. Não se pode levar uma “farmacinha” para dois anos, até porque a autoridade aduaneira pode achar que você está fazendo um contrabando de medicamento, já pensou?
Mas aqui vai uma dica simples, barata e que eu já fiz, funcionou e pode ajudar a aliviar bastante a sensação de mal-estar... Quando chegar ao novo endereço, jogue as malas no chão e exclame: "amiga...este é seu novo lar doce lar". Chore se tiver vontade, enxugue as lágrimas, tome um banho demorado, ponha-se linda, saia para conhecer a redondeza e mergulhe aliviada na nova aventura!

Leve - O estresse causado por tantas providências que envolvem uma expatriação, e as novas condições ambientais a que o corpo estará sujeito podem fragilizar a saúde? A expatriação também exige um preparo da mente?
AP - Pode sim prejudicar a saúde, assim como todo processo que gera ansiedade, insegurança, mudança e providências. O ideal é ir arrumando as coisas aos poucos, guardando o que não vai usar no dia a dia, marcar as consultas com antecedência, procurar informações da cidade onde vai morar (hoje não há nada no mundo que o Google não ache...), conversar com outras expatriadas que estão ou já estiveram lá. Isso não resolve tudo, mas diminui bastante a ansiedade. O estresse gera sempre uma baixa da imunidade, deixando o organismo mais vulnerável às doenças.

Leve - É possível dizer que os expatriados brasileiros têm um perfil em comum no desenvolvimento de algumas doenças no exterior?
AP - Há algumas doenças que são comuns em qualquer lugar do mundo, mesmo na Suíça ou na França! São as diarreias, normalmente adquiridas por ingestão de alimentos e água contaminados, ou por tipos de alimentos que não estamos habituados. Por isso a orientação é sempre comer em lugares limpos e conferir a procedência da água e dos sucos.Viver a cultura de um país é uma experiência inigualável.
A comida e a música são as principais características locais, mas devagar com o andor...

Leve - Quais as regiões do mundo que exigem mais atenção na expatriação?
AP - Em especial os países da África, Oriente Médio e alguns da América do Sul.Conforme já disse, você terá de se alimentar com o que tem no lugar, vale então, no início, ter em mãos endereços de supermercados para estrangeiros.
Independentemente do país, é bom tomar todos os cuidados de higiene com os alimentos, e também ficar atento ao tipo de comida.
No começo, procure fazer refeições parecidas com as que estava acostumada no Brasil, depois vá se adaptando com os tipos locais.
Dica: "enfiar o pé na jaca" só depois de algum tempo, se fizer isso no começo a diarreia é certa...

Leve - Sobre a repatriação, a volta também exige alguma atenção especial à saúde?
AP - Exige sim, porque você já está adaptada à outra realidade, em condições melhores ou piores que no Brasil. Independentemente desta condição, o processo de repatriação é igual ao da expatriação.

Leve - Sugere alguma leitura ou fonte de pesquisa sobre o tema?
AP - Sugiro sempre consultar o link da OMS, com orientações importantes sobre saúde e viagens. A OMS é bastante restritiva, é bom ler sem entrar em pânico, principalmente em relação a vacinas e medicamentos. Vale mais se ater às orientações de medidas de prevenção, que são bem bacanas.

Leve - O vírus H1N1 pode ficar ainda mais assustador para quem está tão longe de casa. Daria alguma outra recomendação aos expatriados, além das já difundidas?
AP - As orientações continuam as mesmas de acordo com a OMS. Algumas informações seguem logo depois da entrevista.

Leve - Na sua opinião, a doença pode atrapalhar os planos de expatriação,tanto das empresas como dos funcionários?
AP - Segundo a OMS as viagens não estão impedidas, mas devem ser feitas em caso de extrema necessidade, isto vale para os Estados Unidos e México. Exceto para estes dois países, no momento, todas as viagens estão liberadas. A informação sobre a prevenção da doença é a melhor medida. Nunca é demais lembrar que ficar doente é horrível, ainda mais no exterior...Um transtorno para profissionais e empregadores.
Sobre a influenza A (H1N1).
É uma doença respiratória aguda (gripe), causada pelo vírus influenza A (H1N1). É transmitido de pessoa a pessoa, principalmente por meio de tosse ou espirro e de contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas. Os sinais da doença podem se manifestar de 3 a 7 dias após contágio.Os sintomas são febre acima de 38º - de maneira repentina - tosse, além de dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, e dificuldade respiratória.
Recomendações do Ministério da Saúde para os viajantes internacionais.
Aos viajantes que se destinam aos países afetados:
* Em relação ao uso de máscaras cirúrgicas descartáveis, durante toda a permanência nos países afetados, seguir rigorosamente as recomendações das autoridades sanitárias locais.
* Ao tossir ou espirrar, cobrir o nariz e a boca com um lenço, preferencialmente descartável.
* Evitar locais com aglomeração de pessoas.
* Evitar o contato direto com pessoas doentes.
* Não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal.
* Evitar tocar olhos, nariz ou boca.
* Lavar as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar.
* Em caso de adoecimento, procurar assistência médica e informar história de contato com doentes e roteiro de viagens recentes a esses países.
* Não usar medicamentos sem orientação médica.
* Atenção! Todos os viajantes devem ficar atentos também às medidas preventivas recomendadas pelas autoridades nacionais das áreas afetadas.

Viajantes procedentes de outros países, independente de ter ou não casos confirmados, que apresentarem alguns dos sintomas da doença até 10 dias após saírem dessas áreas afetadas devem:
* Procurar assistência médica na unidade de saúde mais próxima.
* Informar ao profissional de saúde o seu roteiro de viagem.

Medidas adotadas com relação aos vôos internacionais.
Dentro da aeronave, as tripulações estão orientadas a informar os passageiros, ainda durante o voo, sobre sinais e sintomas da doença. Adicionalmente, a tripulação solicitará que passageiros com esses sintomas se identifiquem aos comissários.
Esses passageiros serão encaminhados para os postos da Anvisa ainda no aeroporto.
Ao desembarcar, todos os viajantes procedentes de países afetados recebem um panfleto com informações, em português, inglês e espanhol, sobre os sinais e sintomas, medidas de proteção, de higiene e orientações para procurar assistência médica. A Infraero ainda veicula nos aeroportos um informe sonoro.
Todos os passageiros vindos de outros países tem suas Declaração de Bagagem Acompanhada (DBA), retidas pela ANVISA. A DBA atua como fonte de informações para eventual busca de contatos se for detectado caso suspeito na mesma aeronave.
O passageiro procedente de país afetado que sentir os sintomas em casa após 10 dias de retorno da viagem deve procurar assistência médica na unidade de saúde mais próxima e informar ao profissional de saúde o seu roteiro de viagem.

Carmem Galbes

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