1 de maio de 2009

Com a palavra: outra X!

Aos quase 30 anos, separada e com um filho de 6 anos, achava que estudar no exterior estaria fora dos meus planos, até que resolvi arriscar tudo e ir estudar inglês na Irlanda.
Não me pergunte "por que" Irlanda.
Para isso acontecer precisei do apoio principalmente dos meus pais, que passaram a ficar responsáveis pelo Breno, meu filho.
A minha vida no Brasil era super estável, morava sozinha, contava com a ajuda de uma babá e levava uma vida socialmente agitada. Namorava há 3 anos e, a princípio, não terminamos a relação, já que meus planos eram de ficar somente 6 meses fora.
Minha adaptação foi fácil. A pior parte na experiência foi dividir apartamento e quarto com outras pessoas, definitivamente não gostei, não pelos meus “flatmates” que eram todos muito legais, mas senti falta de um canto só meu.
Encontrei emprego em uma loja de shopping na primeira semana e na terceira semana de Irlanda conheci um Irlandês. Achei que não fosse pra frente, mas depois de 3 meses decidimos morar juntos e adiei minha volta definitiva ao Brasil, definitiva porque nesse período eu voltava frequentemente para visitar meu filho e resolver assuntos burocráticos. Tive sorte de poder fazer isso.
O Inglês, meu principal objetivo, evoluiu bem rápido, graças a convivência diária com a língua e a escola, que foi sim, ao contrario do que muitos dizem, muito importante.
Conforme o tempo passava e meu relacionamento com meu namorado avançava, comecei a pensar na possibilidade de trazer meu filho pra morar com a gente, quando fomos pegos de surpresa com um resultado positivo de gravidez.
Enlouqueci. Enlouqueci porque se decidisse levar a gravidez adiante estaria decidindo morar na Irlanda pra sempre.
Mas tudo bem, passado o susto decidimos que eu - aos 30 anos - e ele - aos 36 - emocionalmente e financeiramente estáveis, estávamos preparados para arriscar, e arriscamos.Agora, depois de 2 anos fora, sem muitos perrengues, dramas ou momentos ruins, descobri finalmente o que me trouxe até aqui.
Comecei a acreditar em destino e hoje, tendo construído uma família longe de casa, com um "rosinha" que me completa, com meu filho (que eu trouxe do Brasil) e com a minha filhota "made in Ireland", eu não posso e nem tenho do que me arrepender.
Os amigos de verdade continuam amigos de verdade, os de mentirinha desapareceram.
Da Família eu tenho muita saudade. Aliás, aprendi DE VERDADE o que é saudade. O telefone e a internet encurtam a distância, mas não resolvem o aperto no peito quando penso que pode ter sido a última vez que vi alguém que amo.
Toda a escolha tem seu lado ruim e eu sabia disso.
Mas...
No final, encontrei o que não vim buscar, e - se precisasse - daria mais algumas voltas ao redor do mundo, mesmo de bicicleta, para ter a vida que eu tenho, agora perto de casa, porque minha casa HOJE é aqui.
"Um dia há de se perceber que não se pode prender pássaros e nem corações, e que estar junto não é estar do lado e sim do lado de dentro" (autor desconhecido).
K.
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2 comentários:

  1. As surpresas que morar fora nos apresenta acertaram em cheio a K! Adorei o relato :)

    Beijo!

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  2. Olá, Silvinha!
    Obrigada pela visita!
    Bjs.
    Carmem.

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