6 de abril de 2009

O estrago de ficar e de partir.

Olá, X!
Depois de um fim de semana trágico para imigrantes nos Estados Unidos, abro a Folha e vejo o especialista em imigração,
Demetrios Papademetriou, dizer que a situação para quem está em outro país só tende a piorar.
Em entrevista à repórter Andrea Murta, do caderno Mundo, Papademetriou lembra que, até essa crise estourar, jamais tanta gente havia decidido viver longe de casa. “Não seria um exagero dizer que nos primeiros sete anos do século 21 deixávamos a era das migrações e entrávamos na era da mobilidade. Sem contar a imigração forçada, vivíamos o maior fluxo migratório de todos os tempos. Tanto a migração dos altamente qualificados quanto a dos ilegais estavam várias vezes acima do que jamais foram”, diz.
O fato é que muitos estão fazendo o caminho de volta, diz o pesquisador, “há indícios de que não só a imigração já atingiu seu pico como os imigrantes estão mesmo voltando para casa.”
Interessante é ver que o estrago já foi feito. Não importa a decisão, ficar ou partir, não tem consequência boa para ninguém, imigrante ou não, alerta Papademetriou. “Se o fluxo de retorno aumentar muito, os países de origem vão sofrer, pois a imigração é sabidamente um forte redutor de pobreza para as famílias do Terceiro Mundo. Nos países de destino, temo que se chegue ao ponto em que imigrantes, particularmente ilegais, se tornarão alvos da população doméstica, como se fossem responsáveis pela falta de empregos. Além disso, quando a prosperidade retornar, a economia dos países ricos sofrerá se demorarem a reconquistar os imigrantes necessários. Os trabalhadores mais flexíveis são os imigrantes, e sua mobilidade geográfica é extremamente importante para os mercados de trabalho.”
Ok, a conversa de hoje tem um tom bem pessimista. Mas não, não é por causa da segunda-feira, nem da frente fria, nem da crise estampada em todas as partes, é um especialista falando...
Imagem: SXC

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