15 de abril de 2009

Esse jeito prático de ser...

Olá, X!
Se tem uma lição que tenho aprendido em terras estrangeiras é não levar tanto para o lado pessoal as atitudes e as relações que preenchem nosso dia-a-dia. Isso pode assustar em um primeiro momento. Afinal, como diz a consultora de expatriados - Mariana Barros - o brasileiro traz do berço que tudo é uma questão muito pessoal, do te amo do parceiro ao bom dia do porteiro do prédio da esquina.
Você pode perguntar: “e não é?” Um oi mais frio já faz brotar aquele zunido interno: “nossa, que será que eu fiz, que eu falei, que eu gesticulei para fulana me tratar assim?”
Mas se você aceitar a manter - por um período ao menos - a percepção à flor da pele, pode ter a grata surpresa de constatar que - geralmente, e em qualquer lugar do mundo - a atitude alheia tem pouco a ver com o seu comportamento. O que eu desconfio é que as respostas são mais influenciadas por circunstâncias que variam do modo como o ser foi criado à maneira como ele lida com as próprias angústias e frustrações.
Confesso que demorei para não me irritar com gente que não sorri antes de responder ao meu cumprimento. Só relaxei depois que aceitei que o povo por aqui só é econômico em sorrisos, e com todo mundo.
Também fiquei indignada certa vez com o comentário de uma professora depois que agradeci pelas várias dicas sobre um estudo: “esse é meu trabalho”, disse ela. Pensando bem, é mesmo, mas não precisava falar assim...
Aos poucos é possível perceber que tais atitudes não estão no campo da má educação, estão mais relacionadas à secura e ao que os americanos se gabam de classificar como praticidade.
Claro que a sensibilidade ainda me permite identificar em que momento tal característica dá lugar à grosseria. Sei muito bem quando alguém me trata mal sem pudor, que joga aquele olhar de desdém, de peixe morto mesmo, diante da minha fala. Esse é mais um motivo, então, se não for o mais importante, para recorrer ao jeito “não é pessoal” de ver a vida.
Não sou ingênua de pensar que aspectos como origem e condição social não acionem o lado escuro da força entre os nativos, só aprendi que não sou EU especificamente que dispara uma reação mais agressiva, mas um grupo todo. Na visão de um desempregado, todo imigrante que trabalha será uma afronta. Todo branco vai ser insuportável para o negro massacrado pela discriminação racial. Alguém com um pouco mais de recursos vai ser odiado por aquele que passa fome...
Eu só me vigio para que esse modo de pensar não diminua minha massa crítica, não apague minha indignação, não me faça acreditar que a vida é, definitivamente, melhor quando se é prático...
E o que você acha disso? Clique em comentários logo abaixo, ou mande um e-mail para expatriadas@hotmail.com.
Imagem: SXC

2 comentários:

  1. é realmente impressionante como as reações "frias" dos outros podem afetar quem està acostumado à receptividade no Brasil. Existem dias melhores e piores, mas a habilidade de compreeender que não é com vc a "grosseria" ou a falta de sorriso nem sempre chega...

    Abraços

    ResponderExcluir
  2. Acho que esse é o ponto Silvinha.
    Dependendo do momento da expatriação, esse gelo pode deixar a gente arrasada...
    Abraços,

    ResponderExcluir

Olá! É um prazer falar com você!