11 de março de 2009

A urgência e o tchau. O tchau e a urgência.

Olá, X!
Essa semana uma amiga querida voltou para a França, o país dela. Nossa despedida me fez pensar em como a urgência invadiu minha vida desde que virei expatriada.
Falo de uma urgência diferente da vivenciada no estresse da vida profissional, por exemplo. Essa pressa que ronda agora tem mais a ver com não poder desperdiçar nada de uma fase que tem data para acabar - apesar de dizerem que o calendário para quem é expatriado não é tão certinho como prometem...
Desde que deixei o Brasil, passou a ser urgente conhecer lugares e pessoas. Virou prioridade absoluta experimentar, aproveitar, aprender. Resultado: acabei mudando o modo de me relacionar com o mundo e com os outros.
Eu sei que sempre precisei de um período, longo por sinal, para me aproximar e deixar chegar perto, mas a ideia de que - mais dia, menos dia - alguém vai voltar para casa, me obrigou a ignorar regras e marcadores. O milagre, no meu caso, foi ver amizades crescerem e ficarem fortes, apesar do pouco tempo.
Aí vem a partida. Gosto de chamar de exercício da partida. É que a expatriação te põe em contato com gente que está sempre andando por aí, indo e vindo. Normal! Não é preciso ser expatriada para saber que, desde que nascemos, sempre tem alguém que chega, acrescenta, tira ou revira e some. A diferença é que a expatriação faz com que isso aconteça em um curto intervalo. Por isso o exercício. Porque conforme as despedidas vão se acumulando, é possível ir aprendendo como lidar com elas.
Não gosto muito de ficar acumulando. Adoro aqueles dias que a gente tira para jogar as coisas fora. Mas não tem jeito, não encontrei outra estratégia para engolir tanto tchau diferente de cultivar fotos, cartões, badulaquinhos, enfim, a memória do que foi bom. “Porque não somos puros espíritos, e sim seres feitos de carne, precisamos de objetos que encarnem uma realidade que já não existe e que testemunhem o que fomos ou o que acreditamos ter sido”, lembra Marcel Rufo em ‘Me larga! Separar-se para Crescer’.
Imagem: SXC

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