12 de março de 2009

Etiqueta, receitas e preguiça.

Olá, X!
Quando a gente assume um novo caminho na vida é natural ir em busca de receitas. Saber como proceder em meio ao desconhecido traz segurança, alívio e preguiça. Sim! Preguiça de encontrar o nosso próprio jeito de fazer.
Não falo de etiqueta - guia resumidinho aqui. Claro que é muito útil saber que é uma tremenda falta de educação não abrir o presente que você acabou de receber de um italiano e um ultraje fazer o mesmo quando o pacote vem de um japonês. É muito bom ainda saber que na Finlândia chegar um pouco antes da hora é motivo de elogio, que os árabes não toleram ver a sola do sapato de alguém e que comer com a mão esquerda no Senegal é ofensivo. Cultura é cultura!
Mas adotar a cartilha de como se vive lá e achar que isso é uma grande coisa não garante sucesso no relacionamento longe de casa, aliás, nada garante nada nessa vida!
Antes de chegar às bandas texanas, por exemplo, especialistas em vender caminhos pavimentados alertaram que o povo daqui gosta - além de bota, chapéu e espora - de comer bastante, de hierarquia e de um bom papo.
Confesso que gostei desse “bom papo”. Deu a impressão de um povo aberto, disposto a decifrar sotaques e maneiras.
Até que encontrei gente assim. Mas depois de um tempo puxando papo, desconfio que essa disponibilidade vem muito mais de quem é estrangeiro, seja lá de onde.
Vou usar o clássico exemplo do elevador. Sobre os nativos: tem gente que dá um oi rápido, tem gente que conversa, tem o que desembesta a falar, tem o outro que não responde ao cumprimento, tem também quem não está nem aí para o próprio cachorro e que entra rápido no elevador e fecha a porta só para ir sozinho. Tem de tudo!
Aí vou vendo que é difícil se apegar muito às formulas quando o assunto é gente. Vou vendo que etiqueta ajuda a tropeçar menos, que receita ajuda a baixar o estresse, mas vejo também que “ops” , ombros contraídos e gelo na barriga são figurinhas fáceis nesse cenário “expatriático”.
Imagem: SXC

2 comentários:

  1. Acabo de descobrir que me daria muito bem na Finlândia...
    Beijos,
    Tati.

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  2. Oi Tati!
    Sou da turma dos italianos, fico doida se não posso abrir o presente na hora. Aliás, fico muito decepcionada quando vou em festa de criança e o pessoal do buffet joga meu embrulho numa caixa com 500 outros presentes...me sinto um nada!!
    Beijos,
    Carmem Galbes

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