31 de março de 2009

Cinco perguntas e uma boa surpresa! México.

Olá, X!
Lembro bem do cenário antes do embarque. Os sentimentos variavam da euforia pelas inúmeras possibilidades à ansiedade pelos desafios que ela e o marido iriam encarar. Psicóloga de formação e vocação, Vivian engrossa a lista dos que toparam essa viagem por causa da profissão do parceiro. Mas em terras mexicanas Bíbian (segundo a pronúncia espanhola) seguiu o próprio caminho. Estudou idiomas, começou um mestrado, fez planos para ser chef, até que engravidou!
Restabelecida no Brasil, depois de quase 5 anos fora, ela relembra uma parte dessa experiência. Vale ressaltar que, por ser uma otimista nata, qualquer que fosse o resultado desse período - bom ou ruim - ela teria ótimas coisas para contar. Em tempo, a vivência dela, minha irmã de sangue e alma, facilitou e muito esse meu caminho “expatriático”! Obrigada Vivi!

Cinco Perguntas:
X - Como foi o processo até você realmente se sentir em casa em outro país, ou isso nunca aconteceu?
Vi - Bom, o dia, ou melhor dizendo, o período em que eu realmente comecei a me sentir em casa foi quando saía para ir ao supermercado ou ao shopping, encontrava amigos e conhecidos e passava o passeio acenando. Isso não acontecia mais quando vínhamos de férias ao Brasil. Lógico que isso levou um tempinho que não saberia dizer quanto, mas foi todo um processo de ir à festas, conversar com vizinhos, fazer amizade na escola, participando da agenda extracurricular, etc.
Outro fator que ajudou a me sentir em casa mais rápido foi desmontar meu apartamento no Brasil e “construir” um outro fora. Aos poucos fomos criando uma historia e um vínculo na nova casa, aí, quando vínhamos ao Brasil, sentíamos saudades da nossa casa fora daqui: saudades da cama, do banheiro, dessas coisas que a gente diz quando viaja por muito tempo.

X - O que é ou foi mais difícil durante a sua expatriação?
Vi - Definitivamente conhecer pessoas. Digo isso porque só pude começar a frequentar uma escola (onde aprendemos a cultura mais rapidamente e o próprio idioma para podermos nos aproximar das pessoas) depois que saiu meu visto. Esse processo demorou mais de 3 meses. O fato de a gente não ter filhos na época atrasou o processo de socialização. A escola da criança é uma porta aberta de oportunidades para você conhecer a cultura, o idioma e as pessoas. Você tem que entrar no país “pedalando” para que seu filho se adapte prontamente e com isso você também acelera seu processo de adaptação.
Outro fator muito difícil para mim foi ficar doente. Toda vez que eu adoecia era deprimente. Foi a maior sensação de desamparo já sentida em toda minha vida. Sem amigos, sem falar o idioma, sem entender a cultura e o sistema de saúde do país, sem saber como funcionava minha assistência médica, sem conhecer os hospitais, as clínicas e debilitada fisicamente, tinha que procurar serviços médicos. Nossa, isso me faz chorar só de pensar. Horrível.

X - O que faria diferente?
Vi - Certamente estudaria mais. Se ocorrer novamente esse processo conosco, tratarei de vasculhar a internet procurando informação sobre o novo país. Tentarei me comunicar previamente com famílias brasileiras que vivem no local, etc.

X - Toparia ser expatriada de novo?
Vi - Sem sombra de dúvida. Foi o processo de desenvolvimento mais rico que já sofri em toda minha vida. Saber outras línguas é fantástico e te libera para se comunicar com o mundo, mas ser multicultural enriquece sua alma, te libertando de preconceitos e te fazendo entender e sentir que “o diferente” é você e não o outro.

X - Quais expectativas se concretizaram e quais viraram pó depois da mudança?
Vi - Felizmente a expectativa de que eu, um dia, poderia falar quase que perfeitamente outro idioma que não o meu se eu tivesse a oportunidade de viver em outro país. Isso, modéstia a parte, se concretizou.
O que rapidamente virou pó depois da mudança foi achar que facilmente eu me adaptaria em outra cultura por me achar uma pessoa aberta às mudanças. Duramente descobri que sou um ser humano 100% resistente à mudança. Cheguei muito feliz no meu destino, cheia de amor pra dar, e desmoronei quando percebi que nada servia de referência para mim. Até um simples arroz com feijão eu não tinha mais.

A boa surpresa:
Deixei marcas!! Desenvolvi um processo de trabalho num curto espaço de tempo. Pude implantá-lo em uma universidade e fui reconhecida por isso. Fui a 1ª estrangeira a ganhar uma bolsa de estudos de 100% nessa universidade. Isso falando da vida profissional, porque a grande surpresa na minha vida pessoal foi descobrir que também sou uma excelente dona de casa! Amei.
Imagem: SXC

Um comentário:

  1. Nossa, que lindos comentários na introduçao... Obrigada. Bom saber que pude te ajudar em algum momento nesse seu momento "ex" de vida. Sempre estarei pronta pra isso toda vez que vc precisar. Conte sempre comigo!Bjs, amo vc. Sorte.

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