22 de janeiro de 2009

Brasileiro expatriado e a revisão de conceitos sobre segurança.

Olá, Coexpat!32 mil militares e US$ 150 milhões. Esses números sobre o esquema de segurança para a posse de Obama na última terça, em Washington, me fizeram parar para pensar sobre o meu esquema de proteção.
Não, não tenho mania de grandeza e também acho que, dadas as minhas condições de ser anônimo e desprovido de ambições político-empresariais, não careço de um aparato assim em lugar algum do mundo.
De qualquer forma, parei pra pensar.
Quem já viveu em cidades como São Paulo, Recife e Rio tem um esquema próprio, interno de vigilância permanente. A gente fica esperta ao entrar e sair de casa, ao tirar dinheiro do caixa eletrônico, ao andar a pé e de bicicleta, ao dirigir, ao pegar taxi e ônibus. A gente aprende a não ostentar, mesmo quando o valor do objeto é meramente emocional.
O conceito de perigo pelas bandas de cá é diferente. Hoje em dia, acho que Houston já não vive sob o medo da ameaça terrorista, mas tem os mesmos problemas de uma cidade grande, só que em uma escala diferente da que estou acostumada.
O Medo aqui está mais relacionado a não conseguir gastar como antes. Então toda informação que possa ser usada para roubar sua identidade e seu crédito é guardada como jóia. O povo fica atento até onde joga o lixo com esse tipo de informação.
Mas quando o assunto é segurança na rua, fica até engraçado. Ontem mesmo vi uma entrevista em que o Xerife aconselhava o povo a trancar a porta do carro e a não deixar objetos de valor expostos. Mais interessante ainda foi ver o “seo” guarda deixando bilhete nos veículos dos mais desligados: “feche o vidro na próxima vez”.
Outra coisa, aqui é raro ter porteiro nos edifícios residenciais e não se faz registro para subir nos comerciais. Cada escritório que se cuide. Além disso, a segurança em locais como shopping é pública. É polícia mesmo rondando, segurança particular só dentro das lojas mais caras.
Mas o que é incomum pra mim é não ver câmera pra todo lado. Tenho uma suspeita do motivo. É que o povo aqui, apesar de ser cada um na sua, não deixa de botar a boca no trombone. Denuncia mesmo. Chama a polícia! Então parece que todo mundo se vigia o tempo todo. É a lei do “se-eu-não-posso-ninguém-pode”.
Isso não quer dizer que não tem coisa errada. Tem sim, claro. Vou dar um exemplo de como o negócio pode ficar feio.
Outro dia, entrando em um restaurante bem conceituado, leio o aviso na porta: “proibido entrar armado”.
Ahh...lembrei de outra coisa: uma matéria, na época do ano novo, alertava para o fato de ser proibido dar tiro para o alto durante as comemorações da virada. Gente!!!
Resumindo, aqui não é normal alguém te apontar a arma no cruzamento, mas é normal andar armado. E ser humano é desequilibrado por definição. Então, fica difícil comparar...

Carmem Galbes

Imagem: SXC

2 comentários:

  1. Carmem, sabe que esse se texto me fez lembrar de uma reportagem que eu vi essa semana na TV: a venda de armas nos estados unidos subiu alarmantemente nos últimos 4 meses. O que a reportagem estava dizendo é que as pessoas estão comprando mais armas justamente para proteger o que "é delas", por causa dessa crise econômica que está fazendo as pessoas não poderem mais gastar adoidadamente como antes. É a mesma conexão entre economia e segurança que você fez!
    Beijos!!! Alana

    ResponderExcluir
  2. Oi Alana,
    É realmente complicado julgar quando o rumo das coisas parecem estar mudando...
    Adorei sua visita!
    Volte sempre.
    Bjs.

    ResponderExcluir

Olá! É um prazer falar com você!