15 de dezembro de 2008

Expatriação e casamento.

Olá, Coexpat!
“Expatriação não é para quem gosta de viajar, é para quem pode mudar o seu jeito de viver.” Com essa frase a professora da Fundação Getúlio Vargas, Maria Ester de Freitas, conclui uma pesquisa sobre como vivem os executivos expatriados e suas famílias.
Venho matutando sobre o tema não só porque sou esposa de expatriado, mas também porque tenho ouvido histórias de relacionamentos que se complicaram depois da mudança. Infelizmente, tenho acompanhado o sofrimento de uma coexpat que viu seu casamento afundar em terras estrangeiras...mas isso é coisa para o blog dela, se ela tiver um...
Navegando por aí, achei poucos, mas importantes dados sobre o tema. Um exemplo, a estabilidade familiar está entre os três principais fatores para o sucesso ou fracasso da expatriação e a principal causa para o retorno antecipado do expatriado é a não adaptação do cônjuge - traduzindo: happy wife, happy life!
Mas quem se importa? Ah, as empresas têm se importado sim. Afinal, fracasso na expatriação e prejuízo financeiro andam juntos. O fato é que ninguém fala claramente sobre o casamento no processo de expatriação.
As empresas contratadas para ajudar na transição cultural sabem muito bem como apresentar a cidade, mostrar escolas para os filhos e indicar a marca de sabão em pó. Mas não sabem preparar o terreno para o fator mais importante e que tende a ficar vulnerável nesse período: a relação familiar.
Em sua pesquisa, a professora Maria Ester de Freitas diz que “a esposa, ainda que compartilhe das esperanças do futuro promissor de seu marido, estará contabilizando as perdas... Ela se sente despojada de sua casa, onde tudo funcionava; da cidade, onde ela tudo conhecia; do idioma, que era a sua pátria; da sua profissão, que ela não pode exercer por razões burocráticas; do seu status pessoal e social, pois agora ela é apenas a esposa de alguém; de todo o seu conhecimento do cotidiano. A perspectiva do seu olhar é localizada no passado e no presente; o primeiro que lhe dá a segurança de que ela não é uma incompetente, o segundo que lhe atesta a necessidade de começar do zero, de descobrir o enigma existente em cada detalhe da vida diária. Nos momentos de desespero o presente vai ficar muito pesado, o passado será idealizado e o futuro não será visto. A sua energia emocional será investida em manter os pés no chão, de sobreviver ao teste da realidade, de ter os sonhos postergados. Não é de se estranhar que a vida não seja fácil durante os primeiros meses em que a esposa está gerindo as suas dificuldades, bem como se ressentindo do papel de coadjuvante onde a emoção positiva e o glamour ficou todo concentrado no outro personagem. A vida aqui vai girar em rotações diferentes e paradoxais... Temos expectativas sobre o comportamento do outro, mas não o temos sob controle e isso eleva o nível de nossa vulnerabilidade.”
Mas quem tem coragem de falar que vai doer? Por que não dizer que vai doer tudo, mas que passa e que a experiência pode estreitar laços e aumentar a cumplicidade? Mas quem tem a receita? Eis a delícia, não tem receita! Por um breve momento temos a chance de desenvolver nossos próprios métodos e isso pode ser uma gratificante aventura.
E sem puxar sardinha para nosso lado querida Coexpat, nas palavras da professora Maria Ester: “é a infraestrutura domiciliar quem vai dar o suporte para a produtividade e para as decisões criativas do nosso expatriado. O sucesso da empresa vai depender da esposa e não
do expatriado!”


Carmem Galbes
Imagem SXC

6 comentários:

  1. Excelente post! E a mais pura verdade: temos muitos exemplos aqui na Coréia, de sucessos e insucessos. Quem faz o assignment é a família, a começar pela esposa.
    Bjs!

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  2. Legal seu post. Vi muitos casos de falta de compreensao por parte da familia, o que complicou a vida do casal. Ninguem falou que ia ser facil mudar, mas tem gente que se ilude. Ai, depois do deslumbramento inicial, vem os problemas, as reclamacoes, as chantagens. Infelizmente...

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  3. Selma,
    Como você diz, tem que começar por alguém...alguém tem que ter cabeça fria em meio as mudanças para a experiência ser uma coisa legal...Bjs.

    Renato,
    O problema é que o tamanho da frustração é diretamente proporcional ao tamanho da expectativa. Acho que o pior da história é quando o diálogo dá lugar às cobranças...

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  4. Olá... adorei teu texto.
    Sou Psicóloga e trabalho na Clínica com a adaptação da família expatriada no Brasil; principalmente relacionado aos novos papéis do conjuge.
    Achei pertinente o que escreveu, concordo, e aconselho que essas familias procurem apoio emocional para entenderem com outros olhos o que estao passando. Muitas vezes é preciso resgatar valores que andavam escondidos atrás de mascaras da super profissioanl; máscaras sociais;etc.

    Abraços a vcs e disponibilizo meu email.
    grazizw@yahoo.com.br

    Graziele Zwielewski
    Psicóloga esp em Gestão Internacional e Psicologia Cognitivo Comportamental

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  5. Oi, Pessoal!
    Conheci hoje o site de vcs. Acho legal esse espaco para BRASILEIROS NO EXTERIOR, e tb seus BLOGS.

    Voces nao me conhecem, ainda.
    Vim para Thailandia, com a familia, junto do meu marido que fora transferido para cah. Iniciei um BLOG e tb gostaria que vcs o conhecessem. Nao eh especifico para expatriados, mas eh feito por uma expatriada que estah muito feliz e bem adapatada a nova terra. O interessante eh que parece "complementar" o seu... posto que fala do dia-a-dia de todos nos, brasileiros ou nao, dentro ou fora de nosso pais natal.

    Assim, estou aproveitando para divulga-lo: http://umaesposaexpatriada.blogspot.com/
    Gostaria que voces pudessem dar um olhadinha, e se gostarem, acompanhassem as nossas atualizacoes. Toda semana tem novidade! E que pudessem registra-lo nas suas paginas!
    Afinal,
    "Quanto mais cedo fazemos novos amigos, mais cedo temos velhos amigos!"

    E ESTA SEMANA ESTAMOS FALANDO exatamente sobre CASAMENTO!
    - A Saude DO Casamento
    - 7 Passos para um Casamento Feliz
    - Citacoes acerca do CASAMENTO
    - Britânico morre aos 101 anos depois de 81 anos de casamento

    Meu abraco.
    BLOG: http://umaesposaexpatriada.blogspot.com

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  6. Puxa! "passeando por ai" voltei a esse otimo texto e reli sem sentir... na hora de comentar percebi que la' no comecinho da minha vida de expatriada e blogueira deixei meu recadinho. Hoje sei que aquilo pareceria "propaganda' sem se importar com o contexto, mas na epoca eu nem sabia dos "detalhes' da blogosfera. Enfim! Foi bom pq conheci a Carme e depois - por meio dela - o jornalista Piero Vergilio! otimas aquisicoes!
    Bem... o Blog la' evoluiu... e eu tb!
    Tenho certeza absoluta que o sucesso do marido expatriadop DEPENDE ABSOLUTAMENTE DO EQUILIBRIO DA ESPOSA! Realmente: happy wife, happy life!
    Mas nao e' bolinh mesmo, nao! Inclusive nao e' so' quando as coisas pioram, digamos assim, para a mulher que deixa de trabalhar, por exemplo. As vezes muda para melhor (vida social, casa grande, empregados - coisas que talvez nunca tivesse no pais natal...) e isso tb vai depender de sua estrutura psiquica para "segurar a onda", aproveitar e nao pirar!
    Espero ter contribuido!
    Bjs mil!

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