10 de novembro de 2008

90 segundos!

Olá, X!
Uma coisa que sempre ouvi nas “entrevistas da vida” sobre exportação é que o empresário brasileiro tem um enorme problema com prazo. O ser simplesmente não consegue organizar a agenda para entregar a encomenda na data combinada.
E eu - treinada para nunca deixar esperando, o que me faz odiar atrasos - pensava comigo, como assim, como a pessoa batalha pra caramba pra conquistar um espaço no mercado mundial e simplesmente morre na praia?
Talvez uma experiência dia desses tenha me dado uma pequena noção sobre o que passa na cabeça do cabeção - me incluo - quando o tema é: normas culturais...Por sinal, miopia aqui é uma boa palavra!
Sexta-feira. Para matar a saudade optamos por um restaurante brasileiro. Na porta ouvimos um sonoro “tá fechado”. Eu: fechado? A moça: sim, fechou às 2. Eram 2h25. Tentei argumentar...sem chance.
E a história de que o cliente tem sempre razão? Bom, deixa pra lá...
Dia seguinte, no café da manhã: quero isso, aquilo e aquilo outro. A moça do caixa: desculpe, não estamos mais servindo o café, passa das 11. Eu: mas cheguei antes das 11, estava na fila, agora são 11 horas, um minuto e 30 segundos! Ela limitou-se a um: sorry.
Fiquei fula!
Ahh...se fosse no Brasil...
Humm...mas não é!!!
Acho que esse é o pulo do gato. Não interessa se é uma coisa estranha, se não faz sentido falar não para o consumidor, se daria pra abrir uma exceção...
Esse é o ponto de quem se propõe a transitar pelo mundo: respeitar a cultura e os costumes locais. Não sei se concordo com eles, se gosto deles, se atentam contra meus valores, não sei se quero replicá-los por aí, não sei se são lógicos, mas há motivos (também não sei se concordo com eles) para regras, políticas, normas, condutas, jeito, mania...
Acho que uma boa receita pra mim pode ser primeiro identificar com mais tranquilidade o estranho e o diferente. Sim é estranho e sim é diferente! Depois, tentar conviver com essa estranheza...aí sim, aos poucos, com a alma livre, tentar entender. Saber do histórico ajuda e ameniza o caminho para o senso crítico. 

Acontece que pesquisar, procurar saber sobre os motivos dá trabalho.
Pensar dá trabalho, permitir dá trabalho, ir um pouco além do óbvio, da opinião comum dá trabalho, pior, dá medo, porque o que a gente pode encontrar pode ser libertador, e quem quer ser livre? Liberdade dá trabalho, exige responsabilidade, controle sobre a vida...viver dá trabalho...

Não, essa não é uma conversa para defender as atrocidades cometidas em nome das crenças e costumes, esse é um tema grave que não faz parte desse bate papo. 
Esse texto é só uma forma de dizer que esses pequenos atos irritantes e que parecem sem sentido não são nada contra você, porque - quando estamos na fase de adaptação à uma nova cultura temos a tendência de achar que estão de sacanagem com a gente!  
A moça da padaria não queria me irritar, apesar dos noventa segundos! Era apenas a regra que, ali, valeria para todos...
Pense nisso com carinho!  
Carmem Galbes

Imagem: SXC

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